|
| Excesso de carga
volta a ser punido |
| |
Fonte: Diário de Maringá
“Todo mundo põe
carga a mais e isso acaba com o asfalto. As transportadoras
exigem o excesso de peso e se o caminhoneiro não concorda,
acaba perdendo o frete”.
O desabafo é de um motorista
da região de Maringá que pediu para não
ser identificado. “Dependo da transportadora. Se me identificar,
meu emprego fica em jogo”, justifica.
Ele reclama da falta de fiscalização
nas rodovias e do risco de carregar carga acima do permitido
pela legislação. “Vou citar um exemplo:
um caminhão que pode carregar 27 mil quilos, está
carregando 40 mil.
Um bitrem, com capacidade para
37,5 mil quilos, é lotado com 60 mil”, completa.
Na avaliação do motorista, é preciso fazer
blitze e que a fiscalização exija nota fiscal
para garantir o cumprimento da lei.
O presidente do Sindicato dos
Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de
Maringá e Região, Osvaldo Reginato, confirma a
reclamação dos motoristas.
“As empresas pressionam
para carregar mais carga e, como não há fiscalização,
o caminhoneiro acaba aceitando para não ficar sem trabalho”,
diz. O sindicalista reclama da falta de acordo entre o Departamento
de Estradas de Rodagem (DER) e a Polícia Rodoviária
Federal. “Mas o sindicato tem cobrado este acordo”,
acrescenta.
Os caminhões que trafegam
com excesso de carga são os principais causadores da
degradação das rodovias. Aliado a isso, a chuva
dos último dias agrava a situação.
A região de Maringá
conta com duas balanças para pesar cargas de caminhões.
Uma delas, na BR-376 entre Nova Esperança e Paranavaí,
estava desativada desde maio, quando a Justiça Federal
ordenou a volta dos policiais rodoviários federais, em
substituição aos estaduais.
Sem convênio com o DER,
a Polícia Rodoviária Federal não autuava
as irregularidades. A outra, na PR-317, entre Peabiru e Campo
Mourão, está funcionando sem interrupção
por estar em rodovia estadual.
O superintendente da Regional
Noroeste do DER, Octávio José Silveira da Rocha,
afirma que a instituição “foi pega de surpresa
com a federalização da fiscalização”.
Ele diz que o maior problema ocorreu na BR-376, uma rodovia
federal.
“Nomeamos três agentes
para trabalhar naquele posto de pesagem em forma de revezamento”,
afirma. A balança voltou a funcionar na última
segunda-feira.
Agora, o estrago do asfalto é
a maior preocupação do DER. “No inverno,
ocorre a retração do pavimento asfáltico
e isso aumenta a fissura. É uma coisa normal, mas com
o excesso de carga, essas fissuras se transformam no início
dos buracos”, diz.
Balança voltou
O gerente de operações
da Viapar, Luciano Mendes, destaca que, em dois dias de funcionamento
da balança na BR-376, foram lavradas seis multas por
excesso de carga. “Uma dessas multas ficou acima de R$
2 mil.
O caminhão estava com
um excesso de 4,5 mil quilos”, explica. “O sobrepeso,
além de causar dano ao pavimento, reduzindo a vida útil
do asfalto, traz risco à segurança dos usuários
das rodovias. Sem falar nos problemas que causa ao veículos,
pois afeta o sistema de freio e suspensão e os pneus,
entre outras coisas”, completa.
As empresas que administram frete
dizem que tomam cuidado para que não haja sobrepeso.
“Preferimos colocar carga abaixo da capacidade do caminhão.
Deixamos uma margem de segurança. É também
uma forma de preservar nossa frota, dá menos manutenção”,
declara a gerente de uma empresa de transporte de cargas em
Maringá.
«
voltar