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| Estratégias
para o Porto de Santos |
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Fonte: DCI
O porto é a nossa maior
saída de mercadorias, com 27% do total da exportação,
mas é tratado como unidade secundária
Continuamos, depois de tantos
anos, preo cupados com o Porto de Santos, que continua na mesma
já há bastante tempo quanto às providências
estruturais logísticas.
Embora as perspectivas sejam
de mudanças no quadro, temos o histórico de se
falar muito e fazer pouco. O que nos mantêm descrentes
de se encontrar uma luz no fim do túnel, que não
seja de um trem vindo em nossa direção.
As grandes obras projetadas e
que podem trazer melhorias significativas andam devagar demais.
As decantadas perimetrais de
Santos e Guarujá continuam boas promessas, embora no
momento pareçam mais perto do que nunca de se tornarem
realidade.
Todos torcemos para que deixem
de ser infinitamente adiadas, passando de uma gestão
a outra, com cada nova diretoria encampando a idéia,
mas mantendo-a no papel.
O túnel subterrâneo
ligando as duas margens, para economia de 40 quilômetros,
continua como completa miragem no deserto da visão das
seguidas equipes dirigentes nomeadas para o porto.
Interesses ou desinteresses políticos
vão adiando as soluções e, com certeza,
isso não está saindo de graça. O custo
para o porto tem sido sentido e a fatura tem prometido ser cada
vez mais alta se a atenção merecida não
for urgentemente atendida.
O Porto de Santos é a
nossa maior saída de mercadorias, com 27% do total da
nossa exportação, mas é tratado como um
porto secundário. E o mesmo na importação.
Se tudo continuar assim, com
certeza acabará sendo realmente um porto secundário,
sem qualquer chance de se tornar um hub port (porto concentrador
de carga).
Acreditamos que ninguém
precisa discorrer sobre a tragédia em que isso se constituiria,
sendo a cidade de Santos e o Estado de São Paulo altamente
dependentes do porto.
Mas, infelizmente, parece que
a retórica é sempre o resultado final de todas
as discussões, o que pode levar os interessados a cansarem
e procurarem soluções mais convenientes. Vários
portos vêm se preparando para competir com Santos.
Temos também a questão
da dragagem do porto, infinitamente adiada, e que precisa realmente
ser encarada com seriedade. Lembramos que o conceito de hub
port não espera e, se o comércio exterior brasileiro
continuar crescendo nos mesmos níveis, o que acreditamos
não será o caso, mas, supondo que sim, problemas
sérios advirão do descaso logístico com
que o porto tem sido agraciado.
Todos que militam na área
estão cientes do crescimento do tamanho dos navios, de
modo a se obter uma economia de escala crescente. Como ficam
essas novas gerações de navios porta-containers,
e mesmo a velha geração 1995, iniciada com o navio
Regina Maersk, para 6.000 TEU? Simplesmente estão fora
do alcance de Santos.
O Porto de Santos, tradicionalmente
com limite máximo de até 13 metros, e com berços
apresentando menor profundidade, não tem a menor chance,
hoje, de integrar uma rede mundial de portos concentradores
de carga.
Parece que não entendemos
ainda que a logística é de capital importância
para o desenvolvimento de um país. E que a portuária
é mortal para quem tem 96% de suas cargas de exportação,
em termos de peso, escoadas pelo transporte marítimo,
como é o nosso caso.
Em novembro de 1995, com a privatização
das operações do primeiro terminal, o T37, pela
Libra Terminais, de acordo com a Lei 8.630/93, as coisas mudaram
bastante. De lá para cá, as operações
no porto foram incrementadas, o crescimento da carga foi vertiginoso,
a produtividade multiplicada e os preços de movimentação
de carga bastante reduzidos.
A operação de contêineres,
por exemplo, subiu de irrisórios 5/8 unidades/hora para
a média de 50 unidades/hora. O preço de movimentação
e operação de cada unidade caiu de US$ 600.00
para cerca de US$ 250.00.
Embora sejam números vistosos,
estão longe do ideal e da média mundial, de 100
unidades a US$ 100.00 cada, com portos fazendo 200 unidades/hora
a US$ 70.00 cada.
Com melhores produtividade e
preço, teríamos mais condições de
competitividade mundial, o que o país precisa desesperadamente
para voltar a crescer e passar, realmente, a ser um player de
peso no mercado internacional, ao invés de vivermos de
espasmos.
Assim, é mister encararmos
com seriedade as transformações necessárias
ao Porto de Santos. É preciso separar imediatamente o
porto e a cidade de Santos, estabelecendo identidade própria
a cada um deles.
Os acessos do porto, para caminhões
e seus derivados, e os trens, não podem ser utilizados
por veículos particulares que nada têm a ver com
as atividades portuárias como ocorre hoje.
Não podemos continuar
a nos dar ao luxo de menosprezarmos nosso grande porto e sua
possível vocação para porto concentrador
de carga.
O conceito de hub port está
perfeitamente estabelecido em todo o mundo, e o crescimento
do nosso comércio exterior nos obrigará a encararmos
essa situação de frente, se quisermos continuar
avançando.
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